Brincar livre
Um sábado por semana, num parque de Porto Alegre, as crianças brincam. Os adultos não organizam nada.
O que é
Famílias combinam de estar no mesmo parque, no mesmo dia e na mesma hora, toda semana. As crianças brincam juntas — do que quiserem, com quem quiserem, do jeito que inventarem.
Não tem atividade dirigida. Não tem professor, monitor nem apito. Não tem tema da semana.
Tem adulto por perto, para emergência. Não para resolver briga, sugerir brincadeira ou avisar que já deu.
A única regra
Não machucar ninguém.
O resto — quem entra, quem sai, o que vale, o que não vale, o que fazer com quem trapaceia — as crianças resolvem. Resolver isso é a parte mais importante do que elas vão aprender ali.
Por que isso precisa ser combinado
Há trinta anos nada disso teria nome: era a tarde de qualquer criança. Hoje precisa ser marcado, porque a criança que desce sozinha não encontra mais ninguém lá embaixo.
Não é culpa de smartphone, e a conta não fecha na linha do tempo: as crianças já tinham perdido a rua no fim dos anos 1980, muito antes de existir tela no bolso.
O que a evidência diz
Peter Gray, professor de psicologia do Boston College, reúne há décadas os dados que ligam a queda do brincar livre à alta de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes.
Ele autorizou a tradução dos textos dele para o português. O primeiro:
- Treze maneiras de possibilitar o brincar livre e outras atividades independentes para seus filhos — o que dá para fazer a partir de segunda-feira, sem esperar ninguém
"Mas e o futuro deles?"
É a pergunta que todo pai faz, e é justa.
Existe uma escola nos Estados Unidos onde, desde 1968, ninguém tem aula, prova ou nota, e as crianças decidem sozinhas o que fazer o dia inteiro. Alguém foi atrás dos ex-alunos para ver no que deu.
- O que aconteceu com quem estudou numa escola sem aulas, sem provas e sem notas — os números, três falas dos egressos, e os limites do estudo ditos em voz alta
Como participar
Não tem inscrição, mensalidade, cadastro nem lista. Você chega com sua criança.
Estamos começando agora — o parque e as primeiras famílias estão sendo definidos. Me chama e eu te aviso do primeiro sábado.
Sou o Vladimir, moro em Porto Alegre e tenho filhos pequenos. Não vendo nada, não cobro nada e não represento nenhuma instituição. Se um dia isso virar uma escola, ótimo — mas isso é longe, e o clube não depende disso.